Democracia em foco

Ciclo de Estudos impulsiona reflexões sobre os fluxos comunicacionais e a crise de democracia

A quarta-feira, 4 de setembro, foi bem inspiradora para os participantes do 42º Ciclo de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, evento integrante da programação do Intercom 2019 e coordenado pela professora Nair Prata (UFOP/INTERCOM), com moderação do professor Giovandro Ferreira (UFBA/INTERCOM). O Ciclo se estendeu por todo o dia, com transmissão ao vivo pelo site www.aovivo.nitae.ufpa.br, no Centro de Eventos Benedito Nunes (CEBN) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Conferência com Ramon Salaverría

Para abrir os trabalhos do Ciclo, foi realizada a conferência de abertura intitulada “Fluxos comunicacionais e crise da democracia”, ministrada pelo professor Ramón Salaverría, da Universidad de Navarra. O pesquisador abordou o atual cenário decadente do jornalismo, destacando historicamente o caminho do jornalismo na sociedade. Ainda, Ramón refletiu sobre o contraponto do jornalismo, que antes era visto como quarto poder, pois determinava a agenda social, e que mudou a partir do século XXI, devido a forte presença das redes sociais, que proporcionou o chamado jornalismo colaborativo. “As redes sociais podem ajudar a vender um produto, mas não a mudar a opinião pública”, ressalta o professor.

Nesse sentido, o pesquisador seguiu refletindo sobre as desinformações que vieram juntamente com as redes sociais, o que dificulta bastante o papel do jornalismo, além da crise econômica e política, que tem provocado um declínio para grandes redações de jornalismo, que ficaram desvalorizadas, substituídas por máquinas, processo chamado por ele de robotização. “Hoje existem mais robôs construindo notícias fora das mídias. Mas, não podemos perder de vista que o verdadeiro valor do jornalismo está ligado ao jornalista. Porém, seríamos muito vaidosos se achássemos que o problema está ligado apenas ao jornalista. É algo mais amplo, é o conjunto”, salienta.

De acordo com o conferencista, o jornalismo precisa de pessoas com espírito empreendedor, que saiba se apropriar das tecnologias e sistemas atuais para produzir conteúdos com mais qualidade e, nessa linha, ele pontua sete itens de um perfil proativo que pode ajudar nesse processo de um jornalismo independente e de qualidade, que precisa fazer um contraponto da informação.

Para ajudar a pensar nessa nova proposta, o professor cita sete pontos, que são: 1) Novos modelos de produto; 2) Novos modelos de negócio; 3) Novos modelos de profissionais nas redações jornalísticas; 4) Novos modelos para integrar a robotização (integrar jornalismo mais tecnologia); 5) Novos modelos de jornalismos de dados e informações; 6) Novos modelos de gerentes de multiplataformas de informações; e 7) Novos modelos de análises de audiências. Por fim, Ramón ressaltou que há espaço para o jornalismo independente sem se vincular aos partidarismos políticos de esquerda ou de direita, mas focado na população.

Para a doutoranda do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS) da Fiocruz, Tatiana Clébicar, a conferência foi de grande relevância, principalmente pelas reflexões ao papel do rumo do jornalismo independente. “A conferência de abertura reiterou algo que nós, jornalistas, sempre defendemos, mas que lamentavelmente está em xeque neste momento histórico: o jornalismo independente, que é um pilar da democracia”, diz a doutoranda.

 

Texto: Edenice Pereira da Silva

Núcleo de Inovação e Tecnologias Aplicadas a Ensino e Extensão – NITAE2 | Universidade Federal do Pará | Belém-PA.