Abordagem pan-amazônica

IV Colóquio Latino-Americano (Pan Amazônico) de Ciências da Comunicação reúne pesquisadores para discutir questões importantes sobre a região

Na manhã da segunda feira, 2 de setembro, na Universidade Federal do Pará (UFPA), foi dado início ao 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2019). Como um dos eventos que fazem parte do congresso, o IV Colóquio Latino-Americano (Pan Amazônico) de Ciências da Comunicação, com a temática central “O pensamento comunicacional latino-americano, território e Descolonização”, foi realizado na segunda e na terça-feira, no Auditório da SEGE, na UFPA.

 

Primeiro dia

Em seu primeiro dia de debate, o evento lotou o auditório. Mais de 160 congressistas estiveram prestigiando o evento, que teve, na primeira mesa de debate, o tema “Os Desafios da comunicação para a democracia: Território e Descolonização” e, na segunda mesa, “A comunicação como resistência: entornos de outras vozes de pesquisa”.

O Colóquio contou com palestrantes de cinco países da Pan-Amazônia que apresentaram seus trabalhos de pesquisa baseados no assunto do evento. O professor Giovandro Ferreira, presidente da INTERCOM, falou sobre o quanto é valido debater a importância dos fluxos comunicacionais nas mudanças de representações sociais e políticas da história, justificando a necessidade do debate neste momento político que atravessamos.

Durante as discussões da primeira mesa, moderada pelo professor Giovandro, foram levantados temas como a apropriação do instrumento público, o papel da comunicação nas negociações e relações políticas, a reinvenção da democracia. Os congressistas presentes participaram com boas perguntas, respondidas com o ponto de vista de cada um dos palestrantes.

Durante a tarde, a segunda mesa de debate foi iniciada tendo como moderador o professor Allan Soljenítsin Barreto Rodrigues da Universidade Federal da Amazonas (UFAM), e falando sobre resistência e desconstrução de ideias colonialistas. Foram levantados temas como a falta de voz para as causas de afirmação étnicas e de gênero.

O professor Allan reforçou a importância do evento na capital paraense: “A Amazônia precisa se fortalecer cientificamente inclusive na comunicação. Precisamos nos unir e nos conhecer para trabalhar juntos nas melhorias”. No fim do primeiro dia de Colóquio Latino-Americano no INTERCOM Belém, o saldo foi de muito debate, além da grande e numerosa busca pelos congressistas, lotando em ambas as mesas o auditório da SEGE.     

 

Segundo dia

Em seu segundo dia, terça-feira, dia 3, O IV Colóquio Latino-Americano (Pan Amazônico) de Ciências da Comunicação contou com a conferência “Experiências transnacionais latino-americanas de pesquisas”, ministrada pela professora Edna Maria Ramos Castro (UFPA) e moderada pelo professor Giovandro Ferreira (UFBA/INTERCOM). Em seguida, iniciaram as mesas de discussões com os temas: “Experiências transnacionais latino-americanas de pesquisas em Comunicação: por onde caminhar?” e “I Colóquio Brasil-Bolívia: avanços no acordo bilateral”, que, no geral, abordaram a necessidade de se fazer pesquisas na e sobre a Amazônia e tecer temas comuns para expansão de investigações científicas de Comunicação na América Latina.

A conferencista, professora Edna Castro, abordou sobre epistemologia nas pesquisas latino-americanas, a diversidade dos saberes científicos e a sistematização do conhecimento comprovado, que são reflexões importantes para se vencer os desafios de se produzir ciência nos países latino-americanos fugindo dos modelos convencionais de literaturas de cunho europeu e norte-americano. 

“Precisamos pensar na construção de novas pesquisas, saber para além dos muros transcendentais. É importante conhecermos as possibilidades epistêmicas do outro, pois o mundo é plural. As diversidades de saberes hoje se tornaram desafios para as pesquisas, tendo em vista que o domínio político existe, de fato, graças à hegemonização das Américas. Então, faz-se necessário compreender o lugar da Amazônia na geopolítica, porque o conhecimento é sistêmico e político”, reflete Edna Castro, que aponta que o território Pan-Amazônico se tornou um lugar vulnerável.

Para a congressista do Intercom 2019, a aluna de especialização da Universidade Federal do Piauí, Marisa Oliveira, a abordagem de hoje no Colóquio foi de grande importância para sua formação acadêmica e profissional. “É uma das experiências mais gratificantes e enriquecedoras que já tive na minha trajetória acadêmica. Discutir os temas referentes e comuns a América-Latina durante o Colóquio e ter acesso a outras pesquisas e trabalhos de investigadores de outros países é mais que necessário. Com certeza saio daqui com mais perguntas e questionamentos para novas pesquisas”, ressalta a jovem.

A mesa de debate “Experiências transnacionais latino-americanas de pesquisas em Comunicação: por onde caminhar?” teve como palestrantes: Adrian José Padilha Fernandez (UNESR – Venezuela), José Miguel Pereira Gonzalez (PUJ- Colômbia), Gissela Dávila (CIESPAL- Equador), Karina Olarte Quiroz (ABOIC- Bolívia), Erick Torrico (Universidad Simón Bolívar), Vilso Junior Santi (UFRR- Brasil), Dennis de Oliveira (USP) e Sandro Adalberto Colferai (UNIR/INTERCOM), sendo moderada pelo professor Giovandro Ferreira (UFBA/INTERCOM).

Os pesquisadores, no geral, salientaram sobre a importância de se fomentar pesquisas em Comunicação na América-Latina, construir linhas e temáticas comuns da Amazônia para pesquisas no campo da Comunicação, reunir e refletir juntos os estudos abordados. “Precisamos unir os pesquisadores para unificar pensamentos, linhas de investigações comuns. Precisamos publicar para representar o contexto latino-americano”, aponta a professora Gissela Dávila.

Também, a professora Karina Olarte Quiroz, argumentou alguns pontos para ações futuras a partir desse Colóquio, sendo: “crescimento dos estudos no campo da Comunicação na região Pan-Amazônica, alianças das universidades, vínculos Pan-Amazônicos e descolonização intelectual”, afirma.

Pela parte da tarde, ocorreu o “I Colóquio Brasil-Bolívia: Avanços no Acordo Bilateral”, com investigadores bolivianos e brasileiros, como programação fez parte do IV Colóquio Latino-Americano e Pan-Amazônico de Ciências da Comunicação.

Durante o debate, foram abordados temas como os aspectos que envolvem a Bolívia e como o curso de jornalismo que surgiu no país. Também foi mencionado o período colonial até os contextos atuais. Para o professor da Facultad de Humanidades Y Ciencias de La Educación na Universidad Mayor de San Simón (UMSS), Roberto Fernandez Terás, “a produção de conhecimento é sempre para o bem social” afirma, incentivando as pesquisas no campo acadêmico.

Com o tema central “O pensamento comunicacional latino-americano, território e descolonização”, o Colóquio deste ano reuniu pesquisadores do Brasil, da Venezuela, da Colômbia, do Equador e da Bolívia para debater a realidade desses países, propor soluções, disseminar o conhecimento produzido na região e fomentar parcerias de pesquisa. 

 

Texto: Edenice Pereira, Marcelo de Leão e Vitória Monteiro

Edição: Felipe Florêncio

 

Núcleo de Inovação e Tecnologias Aplicadas a Ensino e Extensão – NITAE2 | Universidade Federal do Pará | Belém-PA.