Troféu José Marques de Melo

A professora Rosa Acevedo, do NAEA-UFPA, é a homenageada local na premiação

Na próxima sexta-feira, 6 de setembro, será realizada, dentro da programação do Intercom 2019, a cerimônia de entrega do Prêmio Luiz Beltrão e dos Prêmios Estudantis, homenageando, em várias categorias, pesquisadores e grupos de pesquisa que se destaquem no meio acadêmico.

Entre os prêmios a serem entregues na cerimônia, está, também, o Troféu José Marques de Melo – Maturidade Acadêmica Regional, que tem, como objetivo, homenagear um pesquisador sênior de referência na região em que ocorre o congresso nacional da entidade. Tal prêmio foi criado em 2013 e já foi entregue aos professores Walmir de Albuquerque (Manaus-AM); Doris Haussen (Porto Alegre-RS); Aníbal Bragança (Rio de Janeiro-RJ); Adilson Citelli (São Paulo-SP); Paulo Boni (Londrina-PR) e Nilson Lage (Rio de Janeiro-RJ).

No Intercom 2019, a pesquisadora escolhida para receber o Troféu em Belém foi a professora Rosa Elizabeth Acevedo Marin. Nascida na Venezuela, Rosa Acevedo, como é conhecida, é professora titular na Universidade Federal do Pará (UFPA) e uma das referências de pesquisa e atuação junto aos movimentos sociais, na instituição e na Amazônia.

Atualmente, Rosa Acevedo é docente no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU) do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da UFPA. Além disso, é colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Cartografia Social e Política da Amazônia, da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

Graduada em Sociologia pela Universidad Central de Venezuela (1969), veio, no início da década de 1970, para o Brasil, onde realizou, pela UFPA, sua especialização em Desenvolvimento de Áreas Amazônicas, concluída em 1973. Foi nessa instituição em que a socióloga assumiu o cargo de pesquisadora e docente, com entrada em 1977, no NAEA.

Rosa fez doutorado em História e Civilização pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, França, concluído em 1985. Ela possui, ainda, dois pós-doutorados, um na Université de Québec à Montreal, Canadá (1992) e outro no Institut des Hautes Études de l’Amérique Latine (IHEAL), na França (1993).

Em 2017, defendeu o seu memorial de Professora Titular na UFPA, intitulado “Território de povos indígenas na Amazônia venezuelana face aos novos empreendimentos econômicos”, no qual apresentou uma trajetória de pesquisa com mais de três décadas sobre a luta e os obstáculos enfrentados pelos movimentos sociais na apropriação coletiva da terra.

Para Rosa, o trabalho intelectual deve se propor a dialogar com outros conhecimentos, “a dialogar com outros saberes e dar a eles esse conhecimento (…) o lugar dentro da universidade é um lugar de o professor junto a eles”, afirmou, se referindo a relação com determinadas “populações” vistas, por vezes, apenas como “sujeitos da pesquisa”, em uma relação vertical que em geral se perpetua na academia.

Assim, o trabalho de Rosa extrapola os espaços formais de ensino na Universidade e alcança o nível de intervenção social e política junto a povos tradicionais da Amazônia, sendo reconhecida como uma importante agente dessa realidade.

Entre suas muitas iniciativas de intervenção, está a formação de competências para atuação nessas realidades. Recentemente, a professora coordenou o seminário “Gestão da Comunicação, Práticas e Direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais”, realizado no início de julho de 2019 para os alunos da Faculdade de Etnodesenvolvimento, do campus de Altamira, da UFPA, junto a minicurso com o mesmo nome, abordando os diferentes modos que comunidades tradicionais se apropriam da comunicação, enquanto direito humano reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), a serviço do desenvolvimento e da proteção ambiental da Amazônia.

A professora se envolveu com a Associação de Universidades Amazônicas (Unamaz), uma rede de cooperação acadêmico-científica entre as universidades da Pan-Amazônia, criada durante o Seminário Internacional “Alternativas de Cooperação Científica, Tecnológica e Cultural entre Instituições de Ensino Superior dos Países Amazônicos” (CITAM), promovido pela UFPA, em 1987, com o objetivo de integrar ações de enfrentamento às questões impeditivas do desenvolvimento da região. Rosa Acevedo foi a coordenadora da sede institucional da Unamaz e teve, entre suas ações, a organização do livro “Unamaz – um projeto de cooperação pan-amazônica”, lançado em 2001, com artigos sobre a experiência da Unamaz e seu papel diante dos desafios amazônicos.

Possui envolvimento, também, com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), para a qual foi eleita, em 2019, representante regional do Conselho, na área que compreende os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

A professora já orientou, até o momento, 73 dissertações de mestrado e 19 teses de doutorado, entre elas, diversas pesquisas em interface com a comunicação. Pesquisadores como Manuel Dutra, Vânia Torres, Ana Carolina Pimenta, Neusa Pressler (em memória) e vários outros tiveram a orientação da professora, se formando como docentes e profissionais de comunicação na Amazônia.

Essa contribuição para a área da Comunicação vem desde 1976, quando foi criado o curso de Comunicação Social na UFPA e vários professores de outros programas, como os de Antropologia, Ciências Sociais (atual Programa em Sociologia e Antropologia) e Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido, da UFPA, passaram a lecionar também no novo curso, como Rosa. Anos depois, esses mesmos Programas também passaram a receber os profissionais de mídia, como jornalistas e publicitários, egressos do curso de Comunicação, para realizarem suas pesquisas em interfaces com a área.

Como se nota, a escolha de Rosa para ser homenageada com o Troféu Marques de Melo tem relação direta com o tema do Intercom Nacional, “Fluxos comunicacionais e crise da democracia”, que busca entender, por meio desses fluxos, as relações que constituem a vida em sociedade e como as mesmas estão ligadas à atual situação do cenário político e econômico que vivemos, nos quais ganham relevo, de modo mais impactante, as experiências de povos marginalizados e excluídos.

“O que está mudando esse discurso é a comunicação que eles têm (as populações mais excluídas), a mobilização que eles realizam… (…) Nós não podemos permitir que isto seja interrompido, seria um retrocesso”, finaliza a professora.

 

Confira o dossiê sobre a profa. Rosa Acevedo preparado para o Troféu.

 

Serviço:

Troféu José Marques de Melo – Maturidade Acadêmica Regional; Prêmio Luiz Beltrão e demais prêmios estudantis

Quando? Sexta-feira (06), 19h30

Onde? Instituto de Ciências da Arte (Praça da República – Av. Presidente Vargas, s/n)

Saiba mais e acesse a programação completa do Intercom Nacional em http://www.intercom2019.com.br/

 

Núcleo de Inovação e Tecnologias Aplicadas a Ensino e Extensão – NITAE2 | Universidade Federal do Pará | Belém-PA.