Ciência em risco

V Fórum Socicom-Intercom destaca rumos do financiamento e da pesquisa em Comunicação no país

Nesta terça-feira (03), foi realizado o V Fórum Socicom-Intercom, que reuniu membros da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Socicom).

Realizado no auditório do Coordenadoria de Capacitação e Desenvolvimento (Capacit), pela manhã foram discutidos “Novos modelos de percepção pública sobre ciência e tecnologia”. A mesa contou com a presença de Rudimar Baldissera (UFRGS/Socicom), Maria Olívia de Albuquerque Ribeiro Simão (UFAM/UEA), Maria Ataide Malcher (UFPA), Adriana Omena (UFU/Intercom), Alexandra Ozorio de Almeida, editora-chefe da revista “Pesquisa FAPESP” e Marina Menezes, editora executiva do “Nexo Jornal”.

As discussões partiram de questões como inovação na comunicação científica, publicações e plataformas de acesso aberto, estratégias de aproximação com a sociedade e articulação com atores sociais e políticos.

Na ocasião, foram discutidos os novos modelos de percepção pública sobre ciência e tecnologia. A professora Maria Ataíde Malcher apresentou resultados parciais de sua pesquisa “Jovem e Consumo Midiático em Tempos de Convergência”, desenvolvida com apoio do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (Procad), da Capes. Ela destacou em sua fala a mudança de comportamento em jovens mães do interior de Cametá, que utilizam como modelo de maternidade vídeos no YouTube.

Já a professora Adriana Santos enfatizou alguns questionamentos: “Como a sociedade aprende e se apropria do conhecimento?” e a “sociedade se interessa por ciência?”, além de provocar importantes reflexões sobre o panorama da “contra informação”, cada vez mais divulgadas no período contemporâneo. A seguir, já pela tarde, o principal eixo que permeou as discussões foi o cenário de (risco de) desmantelamento de instituições de incentivo e fomento à pesquisa, bem como os problemas que essas ações do Governo Federal podem acarretar em relação à pesquisa em Comunicação.

A mesa possuiu como tema “Pesquisa em Comunicação: modos de interlocução com as agências de fomento” e contou com a presença de Fernando Arthur de Freitas Neves (UFPA), professor Giovandro Ferreira (UFBA), atual presidente da Intercom, Ana Regina Rêgo (UFPI), que atualmente preside a Socicom e Eduardo Meditsch (UFSC).

Na atividade, estava prevista a presença de representantes de agências de fomento, como Anderson Ribeiro Correia, atual presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); Adriana Tonini, diretora de Engenharias, Ciências Exatas, Humanas e Sociais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); e Carlos Edilson de Almeida Maneschy, diretor-presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisa (FAPESPA). Nenhum destes compareceu.

As ausências não são aleatórias. Pelo contrário. São sintomáticas e já sugerem, se não a despreocupação com discussões, ao menos certo silêncio constrangedor de quem não sabe de fato de que modo lidar e mesmo responder a inúmeros questionamentos no panorama obscuro que é percebido.

Neste sentido, Giovandro destacou o papel das entidades que buscam organizar a pesquisa em Comunicação, como Socicom e Intercom, além de outras como a Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) e mesmo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

De acordo com ele, é necessário maior diálogo entre estas e outras instituições para que se tenham discursos mais próximos e, principalmente, se fortaleçam algumas ações e se defendam bandeiras em comum. Tal diálogo é fundamental devido ao cenário de “angústia coletiva”, no qual notamos uma série de problemas que são observados no período contemporâneo, citados por Ana Regina Rêgo. Segundo a pesquisadora, para isto é necessário ações mais práticas e mesmo busca de proximidade das pesquisas do público, para que a população note o que ocorre e posso começar a integrar tal luta. É isto poderá manter viva e forte as possibilidades de pesquisa e inovação em Comunicação.

 

 

Texto: Thiago Favacho e Enderson Oliveira

Edição: Enderson Oliveira

Fotos: Rafaella Deprá

 

Núcleo de Inovação e Tecnologias Aplicadas a Ensino e Extensão – NITAE2 | Universidade Federal do Pará | Belém-PA.