IV Fórum Comunicação e Trabalho

A realidade das condições de trabalho do jornalista no novo milênio estará em debate durante o Intercom 2019

O impacto do trabalho digital e do capitalismo de plataforma (a chamada “economia de compartilhamento) nos modelos de atuação, remuneração e organização dos jornalistas: este é o foco do IV Fórum Comunicação e Trabalho, que reunirá pesquisadores do tema no dia 3 de setembro, a partir das 9h, no Auditório 5 do campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Belém. O evento faz parte da programação do 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2019), a ser realizado de 2 a 7 de setembro na UFPA com o tema central “Fluxos comunicacionais e crise da democracia”.

O IV Fórum Comunicação e Trabalho é coordenado por Roseli Figaro (USP/Intercom), Claudia Nonato (FIAM/FAAM), Fernando Pachi Filho (UNIP/FTT) e Rafael do Nascimento Grohmann (Unisinos), que também integram o Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT) – uma rede de pesquisa formada em 2005 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), com apoio financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). Nas três mesas que constituirão o Fórum, pesquisadores que estudam as condições de trabalho dos jornalistas irão apresentar resultados e as perspectivas das investigações nessa área.

“O jornalista, em geral, não tem mais emprego; ele tem trabalho. Esperamos que os debates despertem a atenção dos congressistas para as alternativas que estão sendo traçadas, muitas delas pelos próprios profissionais. Ou seja: apesar de todos os nossos problemas, o jornalismo não morreu. Pelo contrário, ele se renova e reage”, afirma a professora Claudia Nonato.

A primeira mesa apresentará parte da nova etapa das pesquisas sobre Comunicação e Trabalho realizadas no âmbito do CPCT, que busca mapear a realidade dos jornalistas em todo o território brasileiro. As regiões Norte e Nordeste ganham destaque na mesa, com a presença dos pesquisadores Edgard Patrício (UFC), Luciana Miranda Costa e Larissa Moura (UFRN), Mariana Reis (UFPE), Marluce Zacariotti (UFT), e Paulo Vitor Giraldi Pires e Beatriz Melo Castro (UNIFAP).

Na segunda mesa, serão apresentados os resultados da primeira fase da pesquisa, que fez o levantamento e a análise dos novos arranjos de trabalho dos jornalistas fora das grandes empresas de comunicação na Grande São Paulo. Compõem a mesa a professora Roseli Figaro, que coordena o CPCT, e os pesquisadores João Augusto Moliani (UFTPR) e Fernando Pachi Filho (UNIP/FTT), com moderação de Claudia Nonato. Esses resultados estão publicados no livro “As relações de comunicação e as condições de produção no trabalho de jornalistas em arranjos econômicos alternativos às corporações de mídia”, que pode ser baixado gratuitamente no site do CPCT e que terá lançamento oficial no Publicom, durante o Intercom 2019.

Na fase exploratória do estudo com jornalistas da Região Metropolitana de São Paulo, foram mapeados 70 novos arranjos de trabalho, posteriormente analisados no contexto da economia de compartilhamento do neoliberalismo a partir de entrevistas e grupos de discussão com os próprios jornalistas. O levantamento descobriu uma realidade já bastante conhecida por quem trabalha na área: jornadas extenuantes de trabalho, em condições cada vez mais precárias. “[Os jornalistas] Têm geralmente um emprego como freelancer ou mesmo fixo para obter ganhos para a sobrevivência; e, depois dessa jornada, há o trabalho no ‘arranjo’, o trabalho que completa e satisfaz, o trabalho que alimenta o ser social, mas também que faz sofrer porque não se têm tempo e condições para a dedicação adequada e com qualidade”, concluem os pesquisadores no livro. O relatório da pesquisa explora, ainda, a utilização dos dispositivos comunicacionais para a realização do trabalho jornalístico; a democratização das relações (mais horizontalizadas do que nas organizações tradicionais); a independência no processo de apuração, redação e edição (e sua contraposição aos conglomerados de mídia); os novos arranjos na periferia e relacionados às questões de gênero; e o financiamento do trabalho do jornalista por empresas ou instituições.

A mesa 3 dará continuidade a esse debate, sob o tema “Trabalho digital no capitalismo de plataforma: implicações para os jornalistas”, com a moderação de Fernando Pachi Filho e a participação de Rafael Grohmann, Thales Vilela Lelo (Unicamp/UEMG), Bruno Casalotti (FIAM/Unicamp) e Ana Flávia Marques (CPCT-USP).

Sobre o CPCT

O Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT) foi formado em 2005 na ECA-USP, coordenado pela professora Roseli Figaro. Sua primeira pesquisa foi desenvolvida entre 2006 e 2008 com profissionais de comunicação (jornalistas, publicitários, profissionais de televisão). Em 2009, o grupo iniciou uma pesquisa sobre o perfil dos jornalistas de São Paulo, que resultou no livro “As mudanças no mundo do trabalho dos jornalistas” (2013). A partir de 2016, pesquisadores do CPCT fizeram um levantamento de novos arranjos de trabalho de jornalistas na Grande São Paulo, apresentado no livro “As relações de comunicação e as condições de produção no trabalho de jornalistas em arranjos econômicos alternativos às corporações de mídia” (2018). Agora, está sendo iniciado o mapeamento desses novos arranjos dos jornalistas em nível nacional.

Sobre o Intercom 2019

O 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, de 2 a 7 de setembro de 2019 na UFPA, em Belém, é uma realização da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

Além do IV Fórum Comunicação e Trabalho, a programação do congresso inclui oficinas e minicursos, sessões de apresentação de trabalhos nos Grupos de Pesquisa, Intercom Júnior e Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) e evento de lançamento de livros (Publicom). O Intercom 2019 também abriga outros eventos científicos como: IV Colóquio Latino-americano (Pan Amazônico) de Ciências da Comunicação; VI Encontro Internacional do Colégio dos Brasilianistas da Comunicação; Jornada Beltraniana 2019 (Rede Folkcom); Fórum Ensicom 2019 (que terá a última audiência pública sobre as Diretrizes Curriculares de Publicidade e Propaganda); III Fórum de Rádios e TVs Universitárias; V Fórum Socicom-Intercom; IV Fórum Comunicação e Trabalho; II Ciclo Amazônia; 42º Ciclo de Estudos Interdisciplinares da Comunicação; e IV Colóquio Jornalismo, Resistência e Literatura.

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Texto: Jornal Intercom
 

Núcleo de Inovação e Tecnologias Aplicadas a Ensino e Extensão – NITAE2 | Universidade Federal do Pará | Belém-PA.