Conferência com a professora Zélia Amador

A pesquisadora abre a programação de um dos Grupos de Pesquisa do Intercom 2019

Referência nacional nos estudos étnico-raciais, a professora doutora Zélia Amador de Deus, integrante do Conselho Científico do 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2019) e docente da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde coordena, atualmente, a Assessoria de Diversidade e Inclusão Social (ADIS), fará a conferência de abertura do GP “Estéticas, Políticas do Corpo e Gênero”, trazendo como tema “Ética e estética: a presença de corpos negras e negros nas universidades federais brasileiras”. A programação será realizada no dia 4 de setembro, às 14h, na UFPA.

Zélia Amador possui uma trajetória de vida repleta de lutas, superações e ativismo. A professora é natural da cidade de Soure, localizada no Arquipélago do Marajó, estado do Pará. Desde muito nova, batalhou para conseguir estudar e dar continuidade a sua formação. Em 1974, obteve o diploma de graduação em Licenciatura Plena em Língua Portuguesa pela UFPA e, alguns anos depois, cursou especialização em Teoria Literária, na mesma Instituição. Conquistou, ainda, o título de Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de Doutora em Ciências Sociais, pela UFPA.

Na Universidade, a professora alcançou importantes cargos de gestão, como diretora do, então, Centro de Letras e Artes (CLA) e vice-reitora. Além disso, Zélia se dedicou ao teatro, participou de diversos espetáculos e foi agraciada com o Troféu Máscara de Ouro, em 1973, da Escola de Teatro da UFPA, da qual faz parte das primeiras turmas.

Ativismo e movimento negro – A professora atua como militante em vários movimentos e momentos históricos na região Norte e no Brasil. Em 1980, quando a repercussão dos movimentos sociais ganha ainda mais força, ela foi co-fundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), buscando pensar políticas públicas para combater o racismo e diminuir as desigualdades.

Em 1995, participou da primeira “Marcha Zumbi contra o Racismo, pela Cidadania e pela Vida”, que reuniu perto de 300 mil pessoas em Brasília. O grupo lutava por ações do Governo Federal para a melhoria das condições de vida da população negra. Um ano depois, o então presidente do país, Fernando Henrique Cardoso, criou o Grupo Interministerial de Valorização da População Negra (GTI) para debater e criar políticas públicas que proporcionassem conquistas sociais ao negro. Zélia Amador foi uma das quatros mulheres que integrou o GTI como representante da região Norte e do Cedenpa.

Em 2001, a professora fez parte da comissão brasileira na 3ª Conferência contra o racismo da Organização das Nações Unidas (ONU), em Durban, na África do Sul. Atualmente, continua sua luta produzindo pesquisas e ministrando palestras em eventos em todo o Brasil e no exterior. No Intercom 2019, a professora compartilhará, com os demais pesquisadores e congressistas, um pouco da sua experiência e estudos.

Sobre o GP

O GP no qual Zélia proferirá sua palestra é o de “Estéticas, Políticas do Corpo e Gênero”, coordenado pela professora doutora Gabriela Ramos de Almeida, da UniRitter. Esse grupo abriga pesquisas que exploram aproximações possíveis a objetos e processos comunicacionais a partir de chaves de leitura que conjuguem as Estéticas da Comunicação e as Políticas do Corpo, tanto no nível teórico quanto empírico.

Núcleo de Inovação e Tecnologias Aplicadas a Ensino e Extensão – NITAE2 | Universidade Federal do Pará | Belém-PA.